Até hoje, a pintora Mazé Mendes lembra com exatidão de um episódio da infância que a impressionava todos os anos. Na Semana Santa, as imagens dos santos da principal igreja de Palmas, cidade onde cresceu no Sul do Paraná, eram cobertas por um manto roxo. A memória que ficou em seu inconsciente aparece nas cores das obras que serão expostas a partir desta quinta-feira, às 19 horas, na mostra Continuum, no Sesc Paço da Liberdade. O texto de apresentação da exposição é do jornalista José Carlos Fernandes, da Gazeta do Povo.
Mazé, que chegou em Curitiba há quase 40 anos e estudou pintura e desenho na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap) mostrará no Paço suas pinturas mais recentes, que ela mesma ajudou a organizar no quarto andar do espaço.
Fotografias já exibidas na exposição Vestígios, de 2007, com imagens da cidade interferidas graficamente (com gravuras do começo de sua carreira, nos anos 1980), também integram a mostra. Um vídeo sobre a trajetória da artista será exibido na exposição, e uma apresentação de tango com Edson Carneiro (professor de dança de Mazé), ocorrerá às 20 horas.
Apesar das mudanças em aspectos de sua obra e do amadurecimento ao longo dos anos, Mazé sempre teve uma relação forte com a cidade em seu trabalho, tanto que as linhas verticais e horizontais de suas pinturas remetem às paisagens urbanas do cotidiano. Talvez, esse interesse tenha a ver com o fato de que ela quase rumou para o curso de Arquitetura. Acabou não passando no vestibular, e decidiu entrar na Belas Artes.
Antes, na infância em Palmas, já tinha tomado aulas com uma freira alemã que ensinava para as meninas basicamente cópias. Assim que soube do curso, ela “infernizou” os pais até ser matriculada. Logo que aprendeu melhor a técnica, Mazé misturava tintas, e criava novos tons, subvertendo o padrão. “Para você ver que, quando é para ser alguma coisa… acontece”, reflete a artista, que tentou também ser atriz. “Perambulei pelo teatro, tive aulas com o Gemba [Oraci Gemba, um dos maiores encenadores do teatro paranaense]. Ele era muito rigoroso, tem essa coisa de decorar texto. Vi que eu não dava para aquilo”, conta.
Fotografias
Mazé começou a fotografar na Embap no começo dos anos 1980, com uma “maquininha mixuruca” da faculdade, mas não se considera nem de longe fotógrafa. Gosta de registrar determinadas peculiaridades da cidade, e se arrepende quando não o faz imediatamente – já se frustrou mais de uma vez ao retornar a um local e não encontrar mais o que viu. “Nunca me dediquei tanto para a foto, meu lance mesmo é pintura, desenho e gravura”, diz.

Fonte: Gazeta do Povo

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