“A Liberdade não é uma condessa
Do nobre distrito de St. Germain…
Ela é uma mulher forte, com seios poderosos”
Auguste Barbier, 1830

 

Nas minhas primeiras noites de trabalho no atelier de litografia do Solar do Barão em 1984, a lembrança sempre forte de Mazé Mendes permanece gravada em meu coração.

Minhas litografias surgiram desta convivência entre ácidos e a pedra, rolos, prensas e impressões, a orientação e os conselhos de Mazé…

E certo que a litografia e a gravura em metal trouxeram um sabor todo especial a sua pintura, já no início dos anos oitenta, mas é na infância que a amálgama de expressão da artista forma-se de uma maneira geral. Seus ícones e principalmente suas cores evidenciam uma busca de identidade sempre ligada à natureza, a vida.

Entre os vermelhos terra e os azuis celestes constrói e destrói seu universo pictural exercitando suas liberdades… Nem a convivência tão próxima com ateliês de escultura e gravura desvia seu rumo, pois Mazé grava, esculpe e representa todas as outras formas de expressão através de sua própria pintura. O corpo que tantas vezes foi objeto de seu gesto, agora é a sua própria obra.

Mazé abre seu interior em sincera revelação para aquele que diante de suas obras parar – E olhar.

Entre o espectador e sua pintura não existem espaços em branco, e sim: uma comunicação em muitos tons.

Na velocidade da pintura corre a pintora, para que o olho sinta a velocidade de sua própria luz.

O desafio da pintura em nossa época está presente na obra de Mazé Mendes.

Carlos Henrique Tullio (Artista Plástico)
Primavera/96

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