Como não existe definição de identidade atual que não resulte daquilo que já se foi, Mazé aborda de modo inusitado o que há muito domina. Representando o particular por meio do que neutraliza as diferenças, ela reafirma que o indivíduo ainda se faz único mesmo no uso do padrão. Além de pintora, Mazé carrega um respeitável reconhecimento pela sua produção como gravadora. Quem melhor que um artista gráfico para falar da complexidade de conceitos como “gravar uma identidade” ou “imprimir uma personalidade?” Quem mais recomendável que uma artista que se maravilha com o cheiro da tinta de impressão e o respeito pelo papel para brincar seriamente com a idéia de registrar a individualidade da grafia da marca digital humana por meio de virtuais dígitos?

Rosemeire Odahara Graça
Professora de História da Arte e pesquisadora.
Agosto, 2004.

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